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5ª edição do FLI BH reúne mais de 27 mil pessoas em 219 atividades gratuitas

FLIBH23 - Espetáculo teatral MATIAS E A ESTRADA INFINITA DO TEMPO Foto Leo LaraInstituto Periférico FLIBH23 - Espetáculo teatral MATIAS E A ESTRADA INFINITA DO TEMPO

Com avaliação extremamente positiva do público, o Festival Literário Internacional de Belo Horizonte aconteceu em cinco etapas, ampliando sua atuação em 2023

Um encontro de vozes diversas e ideias transformadoras. Assim foi a 5ª edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte - FLI BH, que ofertou 219 atividades gratuitas e reuniu mais de 27 mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com o Instituto Periférico, o Festival contou com cinco etapas, de setembro a dezembro de 2023, cumprindo seu objetivo de diversificar o público e descentralizar o projeto, fortalecendo ainda mais as cadeias criativas do livro e da promoção da literatura, além de contribuir para o acesso à cultura em todas as regionais da cidade. Um dos destaques do evento foi a quarta etapa, que aconteceu no CCBB-BH, na Praça da Liberdade. Na ocasião, cerca de 2.400 pessoas participaram das oficinas e mesas de debates, que tiveram sua capacidade máxima atingida, e foram distribuídos cerca de 11 mil livros para estudantes e educadores da rede municipal de ensino.

Em pesquisa de satisfação realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Municipal de Cultura, com o apoio do Observatório do Turismo de Belo Horizonte, da Belotur, a avaliação geral do público apontou uma nota média de 9,2, o que consolida o sucesso do evento e a satisfação de quem esteve presente. Os resultados revelaram, ainda, que mais de 74% tiveram suas expectativas atendidas em relação ao evento e 85,5% recomendariam o FLI a um amigo.

Para a Secretária Municipal de Cultura, Eliane Parreiras, o FLI BH é uma importante política pública do município dedicada à valorização e ao desenvolvimento da literatura e da leitura. "A Prefeitura de Belo Horizonte oferece ao público programação rica, extensa e contemporânea. Além disso, o Festival cumpre o papel de promover uma grande articulação entre editores e autores, possibilitando aos participantes o acesso a uma produção cultural potente e diversa. Estruturamos o 5º FLI BH como uma ação estendida e continuada, de difusão e formação, que se expandiu para a cidade com programações nas 22 bibliotecas da Cultura Municipal, nas livrarias de rua da cidade, especialmente na Savassi, o bairro das letras, no Circuito Literário de BH, além do CCBB. É Belo Horizonte reafirmando sua vocação de cidade literária", comemora.

A presidente da Fundação Municipal de Cultura, Luciana Féres, celebra a realização de mais um festival, que, em 2023, homenageou Lélia Gonzalez, pioneira nos estudos sobre feminismo negro no Brasil, e teve como lema "Vozes e ideias para vidas justas". "A produção artística do FLI BH está sempre antenada com as mudanças sociais no país e homenagear a filósofa e escritora Lélia Gonzalez, uma referência nos estudos de gênero e raça no Brasil e América Latina, é um importante destaque da 5ª edição do festival. Tivemos autoras e autores convidados que estão produzindo literatura inspiradas pela Lélia e seus ideais do feminismo negro. Mas o FLI BH é também lugar de muita literatura infanto-juvenil incentivando a formação de público de leituras e bibliotecas, uma ação constante da Prefeitura de Belo Horizonte para estimular a cadeia produtiva do livro e do leitor".

"Ficamos muito felizes com a realização do FLI BH. Foram mais de 200 profissionais envolvidos na entrega de uma programação tão extensa, diversa e com qualidade. E foi emocionante ver o evento acontecendo, com tantas crianças e adultos participando. Além disso, tenho certeza que contribuímos um pouco mais para a disseminação da literatura em nossa cidade", comenta Gabriela Santoro, Presidente do Instituto Periférico.

O FLI BH 2023 é uma realização da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e do Instituto Periférico. Conta com o apoio do Ministério Público de Minas Gerais, por meio dos recursos do Fundo Especial do Ministério Público do Estado de Minas Gerais – FUNEMP, e com a parceria cultural da Câmara Mineira do Livro, do Sesc em Minas e do Centro Cultural Banco do Brasil. O Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais, organizado pela Câmara Mineira do Livro e patrocinado pelo Mater Dei, integrou o FLI-BH por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

FLI BH em cinco momentos

Concebido para abraçar a literatura em toda sua diversidade e potência, a partir das atividades oferecidas e da ampla gama de públicos, regiões e estilos contemplados, o FLI BH 2023 expandiu suas fronteiras. Em setembro, marcou presença na Expo Favela Minas, que ocorreu pela primeira vez no estado, com o objetivo de ampliar o protagonismo das vozes periféricas e celebrar a literatura nascida nas favelas.

No período de 6 a 10 de novembro, o festival proporcionou oficinas gratuitas nos 17 centros culturais da Prefeitura de Belo Horizonte, localizados em todas as nove regionais da cidade, tornando o acesso à cultura mais democrático e acessível. Além disso, em 11 de novembro, aconteceu o inspirador Circuito FLI BH de Livrarias, que contemplou a literatura em sua intersecção com a sociedade e outras formas de arte.

Entre 16 e 20 de novembro, no CCBB-BH, aconteceu um dos momentos mais especiais do FLI. Na ocasião, o evento reuniu quase 25 mil crianças, jovens e adultos, em 55 atividades gratuitas. Também foram lançados 88 livros ao longo dos cinco dias.

A cerimônia de abertura no CCBB BH foi marcada por muita emoção, representada pela fala de Gislane Tanaka, gerente geral do Centro Cultural, que se emocionou ao ressaltar a forte presença de crianças no evento e o fomento da literatura na infância. A abertura ainda contou com as presenças de Eliane Parreiras, Secretária Municipal de Cultura; Luciana Féres, presidente da Fundação Municipal de Cultura; Gabriela Santoro, Diretora Presidente do Instituto Periférico; Sérgio Parreira Abritta, Procurador de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais; Roberta Rodrigues Martins Vieira, Secretária Municipal de Educação; Josiane de Souza, Secretária Adjunta de Cultura e Turismo de Minas Gerais; Felipe Mayrink, Presidente da Câmara Mineira do Livro, e Maria Emília Pereira da Silva, Diretora de Educação, Cultura e Ação Social do Sesc em Minas.

Lélia Gonzalez foi homenageada em roda de leitura, oficina e na conferência inaugural, que contou com a participação de Nilma Lino Gomes, professora titular e emérita da Faculdade de Educação da UFMG e ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e da escritora Dalva Maria Soares, que integra a coordenação artística do evento. "Estou muito orgulhoso de estar aqui e de ser filho da Lélia, acredito ser uma grande oportunidade comparecer neste evento, porque é importante desenvolver sua cultura na cidade em que ela nasceu", comentou Rubens Rufino, filho da homenageada.

Com uma programação especialmente pensada para enriquecer as comemorações dos 126 anos da capital mineira, o último momento do 5º FLI BH promoveu oficinas, debates, narrações de histórias e outras atividades gratuitas, no período de 4 a 16 de dezembro. O evento aconteceu em Centros Culturais e Centros de Artes e Esportes Unificados da PBH, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, em Bibliotecas Comunitárias e na Livraria Quixote, na Savassi, reforçando um dos nortes que guiam o Festival desde a primeira edição: promover a literatura em todas as regionais da cidade, incluindo públicos diversos.

Salão do Livro Infantil e Juvenil tem lotação máxima no CCBB

A Prefeitura de Belo Horizonte se associou à Câmara Mineira do Livro para realizar, dentro da programação do FLI BH, a 7ª edição do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais, que contou com uma homenagem emocionante a Marcelo Xavier. Reconhecido por prestigiosos prêmios literários no Brasil, Marcelo é autor de mais de 20 livros, a maioria para crianças, e é destaque na ilustração tridimensional com massinha, que desenvolve desde 1986.

A partir de uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação, SMED-BH, foram distribuídos mais de 10 mil vales-livros para estudantes e mil para educadores de escolas municipais de Belo Horizonte durante o Salão. Os vales foram trocados pelas diversas obras disponíveis, que abrangem desde os clássicos da literatura infantil até as mais recentes criações. A feira literária contou com mais de 30 editoras, entre elas  Dimensão, RHJ Livros, Aletria, Mazza Edições, Grupo Lê, Literíssima Editora e muitas outras.

Roberta Rodrigues Martins Vieira, Secretária Municipal de Educação, ressalta o trabalho conjunto que precisa sempre existir entre Cultura e Educação: "Não tem como não trabalhar junto. A Cultura está unida à Educação, tem que existir esse elo. E esse festival literário é uma grande festa para a cidade que oportuniza esse momento tão brilhante que é o contato com a leitura, que é tão transformador", comenta.

"Minas Gerais possui uma grande tradição literária, e a chegada do Salão do Livro Infantil e Juvenil à 7ª edição marca a sua consolidação como um dos mais importantes eventos literários do país, dedicado às crianças e aos jovens. Esperamos que todos se divirtam e fortaleçam o hábito e o prazer pela leitura", afirma Felipe Mayrink, Presidente da Câmara Mineira do Livro.

Momentos especiais no CCBB

Nas dez mesas de debate, participaram ilustradores, escritores e pesquisadores, como o historiador François Dosse e os escritores José Eduardo Gonçalves, Luana Tolentino, Makota Celinha e Lilia Guerra. Fabíola Farias, coordenadora de programação, destaca como o FLI BH se consolida como espaço de diálogos sobre sociedade e literatura. "O que eu acho que foi mais interessante na quinta edição do FLI BH é que o Festival alargou suas fronteiras. Ele continua sendo um Festival de literatura, mas trouxe também para sua responsabilidade o debate de ideias, de temas que são definidores do nosso tempo, de temas que indagam quem nós somos e como nós vivemos. Esse, para mim, foi o grande avanço do Festival nesta quinta edição, que está refletido na programação, na diversidade de atividades e de convidadas e  convidados".

As oficinas foram oferecidas para diversos públicos, de bebês a adultos, e contemplaram variadas expressões artísticas e culturais: gravura, cordel, encadernação de livros, produção de quadrinhos, arte com massinha e muito mais. Participante da mesa "Narrar e ler as experiências de ser criança", a ilustradora Anna Cunha notou o sucesso de público nessas atividades: "Eu acho o FLI BH um festival incrível, que já tem uma importância enorme em Belo Horizonte e esse ano especialmente a programação foi maravilhosa, muito diversa, contemplando crianças, jovens, adultos. Fiquei muito comovida de ver as oficinas lotadas e tive a honra de participar de uma mesa maravilhosa. É um grande privilégio ser de Belo Horizonte, poder acompanhar esse evento e fazer parte dele", disse.

Natália Gregorini apresentou seu livro "Madalena" na programação do espaço, além de ministrar uma oficina, e destaca a diversidade na programação: "Eu venho de Campinas, de São Paulo, e eu estou encantada com tudo: com a estrutura do festival, com as mesas de debate e as oficinas. Me chamou atenção ter muitas mesas compostas por mulheres, pela organização ter muitas mulheres à frente e pela forma como todo mundo foi muito receptivo e amoroso. Eu me senti muito acolhida, muito bem-vinda, tanto pela organização, quanto pelas pessoas que fizeram a minha oficina ou que estiveram presentes na mesa que participei. Muito emocionante estar aqui e ver também tantas crianças com livros nas mãos".

O pátio do CCBB foi palco para diversas apresentações artísticas, como saraus, espetáculos teatrais, narração de histórias e de dança. O Slam Clube da Luta foi um dos grandes destaques, que encheu o espaço com pessoas de vários lugares de Belo Horizonte e região metropolitana. O Slam Clube da Luta  convidou a atual campeã da Copa do Mundo de Poesia Falada, a colombiana Lady la Profeta.

Durante o festival também aconteceram palestras ministradas por grandes nomes da literatura, como João Silvério Trevisan, agraciado três vezes com o Prêmio Jabuti. Na oportunidade, ele apresentou para o público o tema "Biblioteca da gente: tudo em todo lugar, ao mesmo tempo", que contou com mediação de Cleide Fernandes, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, na Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Cleide Fernandes destacou: "O FLI BH é um espaço vivo de encontro entre as pessoas, as ideias e os livros, além de ser um evento que proporciona aos leitores a oportunidade de dialogar e conhecer os escritores".

Aniversário de Belo Horizonte celebrado no FLI

A cidade aniversariante foi homenageada por autores que pensam, escrevem e descrevem a cidade. Carlos Drummond de Andrade, que completaria 120 anos em 2022, também foi celebrado. Três artistas visuais realizaram a pintura de painéis ao vivo inspirados na obra do poeta e escritor mineiro, ao longo do ciclo de palestras ilustradas. Os painéis agora estão disponíveis para exposições itinerantes.

As oficinas trabalharam com a criação de livros de memória, produção de ilustrações e quadrinhos, modelagem de massinha, impressões tipográficas, cantigas e brincadeiras da cultura popular. Mesas de debate trataram de assuntos urgentes do nosso tempo: os desafios do combate ao racismo e à gordofobia. A importância do cuidado coletivo com o acervo das bibliotecas também foi enfatizada em palestras-show. Outro destaque foi o Slam, competição em que participantes declamam poesias em ritmo de rap.

A etapa final do FLI BH serviu para enfatizar a importante ligação do Festival com a capital mineira, como importante política pública da Prefeitura de Belo Horizonte que promove o encontro de vozes diversas, ideias transformadoras e ações formativas que fortalecem toda a cadeia criativa. Desde a primeira ação, em setembro, na Expo Favela Minas, buscou divulgar novos autores, ampliar o protagonismo de vozes diversas no campo literário e incentivar a leitura. 

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