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ACNUR reforça apoio aos mais vulneráveis afetados pelas inundações no Brasil e em outras regiões

Este é um resumo do que foi dito pelo porta-voz do ACNUR, William Spindler, ao qual o texto citado deve ser atribuído, na coletiva de imprensa de hoje no Palácio das Nações em Genebra.

Genebra, 24 de maio de 2024 – Quase um mês após o início das fortes chuvas no estado do Rio Grande do Sul, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está ampliando sua resposta de forma coordenada com o Governo do Brasil e autoridades locais para atender às necessidades dos mais vulneráveis – incluindo 43.000 refugiados e outras pessoas em necessidade de proteção internacional, principalmente venezuelanos, haitianos e cubanos, além das comunidades que as acolhem.

As inundações são o maior desastre climático no sul do Brasil e causaram 163 mortes e deslocaram cerca de 580.000 pessoas. Mais de 65.000 ainda estão em centros de acomodação temporária; 93 por cento das cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram afetadas. Estima-se que são necessários US$ 3,21 milhões para apoiar a resposta do ACNUR, incluindo assistência financeira para os indivíduos afetados e itens essenciais de socorro.

Uma equipe especializada em gestão de abrigos, documentação e prevenção de violência baseada em gênero foi mobilizada para as áreas de desastre e está coordenando o recebimento de itens de socorro enviados pelo ACNUR. A equipe também está fornecendo assistência técnica para melhorar o funcionamento dos abrigos, especialmente em Porto Alegre, capital do estado.

As primeiras Unidades de Habitação Emergenciais e colchonetes chegaram à área afetada, vindas do armazém do ACNUR em Boa Vista (RR). Outros itens como recipientes de água, mochilas, lonas, lâmpadas solares, cobertores e kits de higiene e sanitários estão a caminho do Rio Grande do Sul. Mais itens estão sendo enviados dos estoques do ACNUR na Colômbia e no Panamá.

O ACNUR e a Agência da ONU para as Migrações (OIM) estão visitando abrigos para avaliar as necessidades de pessoas refugiadas, outras em necessidade de proteção internacional e migrantes para avaliar suas demandas e apoiar os casos mais urgentes. Os entrevistados expressaram preocupação com seu futuro, especialmente sobre para onde retornarão e quando. Além disso, o ACNUR, junto a parceiros, está priorizando a reemissão de documentos perdidos.

Organizações lideradas por pessoas refugiadas no Rio Grande do Sul têm coletado e distribuído doações e voluntariado no contexto de emergência. Segundo dados do governo federal, o estado do Rio Grande do Sul abriga mais de 21.000 venezuelanos que foram relocados de forma voluntária do estado de Roraima, desde abril de 2018.

A situação no Rio Grande do Sul é muito preocupante. A previsão do tempo para os próximos dias indica chuvas e ventos fortes, tempestades e possível queda de granizo em partes do território. Eventos climáticos extremos no Brasil têm sido mais frequentes e devastadores nos últimos anos, incluindo secas na região amazônica e chuvas severas nos estados da Bahia e Acre, todos os quais o ACNUR também contribuiu com ajuda humanitária em parceria com os governos.

Mas o financiamento para lidar com os impactos das mudanças climáticas é insuficiente para atender as necessidades daqueles deslocados à força e das comunidades que os acolhem. Sem ajuda para se preparar e responder a esses impactos, incluí-los nos planos nacionais de adaptação e para se recuperar das consequências climáticas severas, eles correm o risco de novos deslocamentos forçados. Mais ajuda é necessária para fornecer socorro vital às famílias que perderam tudo.

Enquanto isso, no Afeganistão, inundações repentinas e chuvas intensas, que começaram em 10 de maio, causaram extensos danos e perdas de vidas no norte, nordeste e oeste do país. Milhares de casas e hectares de terras agrícolas foram danificadas ou destruídas, e mais de 300 pessoas morreram. O ACNUR tem respondido com outras agências da ONU, avaliando necessidades e distribuindo tendas de emergência, itens não alimentares e kits de roupas.

Com parceiros, o ACNUR também está monitorando preocupações de proteção, incluindo casos relatados de separação familiar, e está oferecendo apoio psicológico. Voluntários treinados pelo ACNUR têm disseminado informações sobre os serviços disponíveis. Novas inundações ainda estão sendo relatadas e grandes áreas permanecem isoladas devido a estradas e pontes danificadas.

A situação em toda a África Oriental também continua sendo motivo de grande preocupação. No Quênia, mais chuvas intensas nesta semana inundaram partes do campo de Kakuma, afetando abrigos e instalações públicas, incluindo clínicas de saúde e escolas. O ACNUR e parceiros estão distribuindo itens de socorro, ajudando a evacuar os mais afetados para áreas seguras e reabilitando abrigos danificados.

No Burundi, o ACNUR, com o governo e parceiros, está assistindo os mais afetados através de realocações para locais temporários, fornecimento de água limpa, assistência financeira para necessidades urgentes e distribuição de materiais escolares para crianças. No Sudão do Sul, Sudão e Somália, mais chuvas são esperadas, e os rios continuarão a transbordar nas próximas semanas. Um grande número de refugiados e deslocados está abrigado em locais que podem ser severamente impactados. Nossas equipes estão trabalhando com parceiros na preparação, no entanto, a falta de financiamento está dificultando investimentos significativos em medidas de mitigação.

As mudanças climáticas afetam desproporcionalmente os refugiados e outras pessoas necessitadas de proteção internacional, que já vivem em áreas vulneráveis suscetíveis aos efeitos de eventos climáticos extremos e recorrentes.

Em abril de 2024, o ACNUR lançou seu primeiro Fundo de Resiliência Climática para construir a resiliência de refugiados, comunidades deslocadas e seus anfitriões à crescente intensidade de eventos climáticos extremos relacionados às mudanças climáticas.

ACNUR apoia pessoas impactadas por enchentes no Rio Grande do Sul

Agência da ONU para Refugiados e parceiros no Estado apoiam equipes de resgaste com mapeamento de necessidades, informação às comunidades afetadas e abrigamento emergencial para pessoas brasileiras, refugiadas e migrantes

Em resposta às devastadoras enchentes no Estado do Rio Grande do Sul, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e organizações parceiras estão colaborando com autoridades públicas e da sociedade civil para minimizar os efeitos desta catástrofe, apoiando pessoas brasileiras, refugiadas e migrantes que estão deslocadas.

Com base nos dados do Governo Federal (CAD-Único/SUAS), o ACNUR estima que mais de 35 mil pessoas refugiadas e migrantes que vivem no Rio Grande do Sul podem ter sido afetadas direta ou indiretamente pelas inundações. Estas pessoas informam que perderam casas, pertences e documentos, com negócios e outras atividades de geração de renda destruídos pelas águas. O Rio Grande do Sul é um dos estados brasileiros com maior presença de pessoas refugiadas e migrantes, especialmente venezuelanos e haitianos, muitos vivendo em áreas de risco.

Devido à dificuldade de acesso aos locais mais afetados e buscando maior eficiência na sua resposta, o ACNUR está apoiando o Governo Estadual do Rio Grande do Sul e o Comitê Estadual de Migrantes e Refugiados na avaliação do impacto das inundações e na identificação das necessidades destas populações.

O ACNUR também está apoiando a comunicação com as diversas comunidades impactadas para que as pessoas refugiadas e migrantes tenham acesso, em seu idioma, às informações fornecidas pela Defesa Civil e autoridades locais sobre as recomendações de proteção e os riscos associados aos locais onde vivem.

Ao mesmo tempo, em São Leopoldo/RS, a UNISINOS (universidade parceira da Cátedra Sérgio Vieira de Mello do ACNUR) converteu parte de suas instalações em um abrigo temporário de emergência, fornecendo apoio atualmente a cerca de 1.300 pessoas brasileiras, refugiadas e migrantes diretamente afetadas pelas enchentes.

O ACNUR estima uma necessidade de mais de R$ 16 milhões para responder às necessidades emergenciais, especialmente distribuição de assistência financeira direta às pessoas impactadas e itens de primeira necessidade.  Quem deseja apoiar a resposta do ACNUR na emergência das inundações no Rio Grande do Sul pode doar por meio do link  https://doar.acnur.org/page/ACNURBR/doe/enchentes-no-sul-do-brasil.

“O ACNUR fortaleceu os esforços de coordenação com parceiros locais, especialmente com contrapartes governamentais diretamente responsáveis pela resposta de socorro a desastres no Rio Grande do Sul. Estamos apoiando com o que está ao alcance neste momento e para que não haja sobreposição dos esforços, contribuindo assim para maior eficiência da resposta voltada para as comunidades brasileiras, refugiadas e migrantes no Estado”, afirma Maria Eliana Barona, Representante Adjunta do ACNUR no Brasil.

O ACNUR lamenta profundamente a perda de vidas decorrentes desta tragédia e os efeitos sobre a população brasileira, refugiada e migrante. Ao mesmo tempo, reconhece a importante atuação de dois parceiros fundamentais no estado – Aldeias Infantis SOS e Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados – cujas equipes e estruturas também foram severamente impactados pela catástrofe e seguem atuando para prover ajuda imediata e assistência às populações residentes.

A realidade das mudanças climáticas, evidenciada por eventos extremos como as torrenciais chuvas no Rio Grande do Sul, tem causado perda de vidas e estragos materiais irreparáveis para as populações que passam a viver com insegurança e incertezas.

Previamente ao cenário atual no Rio Grande do Sul, o ACNUR já atuou recentemente em outras emergências climáticas no Brasil, como nos casos do Acre,  Bahia e Manaus.

 

Para mais informações, favor contatar:

ACNUR Brasil: Miguel Pachioni: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. l +55 11 98875-3256

A guerra na Ucrânia entra no terceiro ano, prolongando a incerteza e o deslocamento forçado de milhões de pessoas

Este é um resumo das declarações feitas pelo diretor regional do ACNUR para a Europa, Philippe Leclerc - a quem o texto citado pode ser atribuído - na conferência de imprensa de hoje no Palácio das Nações, em Genebra.

Após dois anos de guerra em grande escala na Ucrânia, no meio de uma destruição maciça, de contínuos bombardeamentos e ataques com mísseis em todo o país, o futuro de milhões de pessoas deslocadas permanece incerto.

À medida que a guerra avança, as condições humanitárias continuam a ser desafiadoras na Ucrânia, onde cerca de 40% da população necessita de apoio humanitário e de proteção. Para muitos, esta não é a primeira experiência com a guerra e o deslocamento forçado, já que esta semana também marca os 10 anos desde o início da guerra no leste da Ucrânia.

Atualmente, há quase 6,5 milhões de refugiados ucranianos que buscam proteção internacional como refugiados em todo o mundo, enquanto cerca de 3,7 milhões de pessoas continuam deslocadas à força dentro do país (deslocados internos).

Segundo conclusões preliminares de um estudo recente da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a maioria dos refugiados ucranianos e das pessoas deslocadas internamente que foram questionadas (65% e 72%, respectivamente) ainda manifestaram o desejo de regressar para suas casas futuramente. No entanto, a proporção diminuiu, com mais pessoas demonstrando incertezas devido à guerra em curso.

O estudo do ACNUR, “Lives on Hold: Intentions and perspectives of refugees, refugee returnees and internally displaced peoples from Ukraine” (“Vidas em espera: intenções e perspectivas de refugiados, refugiados retornados e deslocados internos da Ucrânia”, em tradução livre), é baseado em entrevistas realizadas em janeiro e fevereiro deste ano, com cerca de 9.900 famílias ucranianas de refugiados, deslocados internos e repatriados dentro e fora do país.

Os entrevistados citaram a insegurança prevalecente na Ucrânia como o principal fator que inibe o seu regresso, enquanto outras preocupações incluem a falta de oportunidades econômicas e de habitação. Uma prioridade fundamental para o ACNUR é reparar casas na Ucrânia para as pessoas poderem permanecer em seus lares. Ainda que mais de 27.500 casas foram reparadas até o momento, entre os refugiados retornados entrevistados, mais da metade (55%) relataram haver menos oportunidades de emprego do que o esperado.

É preocupante que uma proporção significativa dos refugiados ucranianos entrevistados – aproximadamente 59% dos respondentes – afirmou que poderá ser obrigada a regressar, mesmo que esta não seja a escolha preferida devido à guerra em curso, se eles continuem a enfrentar desafios nos países de acolhimento, principalmente relacionados com oportunidades de trabalho e documentação regular.

Além disso, relatórios anteriores indicam que as pessoas refugiadas com necessidades específicas e em situação de vulnerabilidade, incluindo pessoas idosas e pessoas com deficiência, estão considerando regressar principalmente devido à aparente falta de outras opções.

Esta crise de refugiados é definida por um elevado grau de separação familiar – com muitos membros masculinos da família que permanecerem na Ucrânia, o que muitas vezes traz desafios para aqueles que são forçados a deixar o país e para aqueles que ficam para trás, sem apoio familiar. Este relatório revela que o reagrupamento familiar foi um dos principais impulsionadores dos refugiados que regressaram a casa permanentemente.

Mais pessoas refugiadas estão realizando visitas de curta duração à Ucrânia – cerca de 50% em comparação com 39% no ano passado – principalmente para visitar familiares, mas também para verificar propriedades. Conforme observado no documento UNHCR’s Position on Voluntary Returns to Ukraine (“Posição do ACNUR sobre retornos voluntários à Ucrânia”), essas visitas podem, em última análise, ajudar a facilitar decisões totalmente informadas sobre retornos de longo prazo, assim que as condições o permitirem.

O ACNUR pede aos países de acolhimento que mantenham uma abordagem flexível às visitas de curta duração dos refugiados à Ucrânia, bem como que o estatuto jurídico dos refugiados e os direitos adquiridos nos países de acolhimento não sejam afetados por visitas com duração inferior a três meses. A proteção e as necessidades dos refugiados devem ser asseguradas até que eles possam regressar ao seu país de forma voluntária e sustentável, com segurança e dignidade.

Enquanto a guerra continuar, as pessoas refugiadas, deslocadas internas e as que permanecem na linha de frente necessitarão de apoio urgente. Embora a resiliência das pessoas continue forte e os esforços de recuperação estejam bem encaminhados em muitas áreas, tais ações devem continuar a ser apoiadas. Caso contrário, a proteção e a resiliência dos ucranianos ficarão comprometidas.

O ACNUR quer arrecadar cerca de US$ 993,3 milhões de dólares, sendo US$ 599 milhões de dólares para ajuda humanitária dentro da Ucrânia e o restante para apoiar refugiados nos países de acolhida. Neste momento, a operação na Ucrânia tem apenas 13% de financiamento. A menos que haja um financiamento robusto adicional, poderemos ser forçados a cortar atividades essenciais na Ucrânia e nos países vizinhos.

 

O povo da Ucrânia, que convive diariamente com os impactos desta guerra, não deve ser esquecido. Assistimos a uma grande manifestação de solidariedade e apoio à Ucrânia, e este apoio tão necessário não pode parar agora.

ACNUR teme o aumento da crise de proteção no Níger, e pede uma ação rápida

Este é um resumo do que foi dito por Emmanuel Gignac, Representante do ACNUR no Níger - a quem o texto citado pode ser atribuído - na coletiva de imprensa de hoje no Palácio das Nações, em Genebra

Genebra, 29 de agosto de 2023 – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está profundamente preocupada com a rápida deterioração do panorama humanitário no Níger.

A crise política em curso, sem solução clara à vista, está gerando incerteza e preocupação, pois o país continua a sofrer repetidos ataques de grupos armados não estatais, especialmente perto das fronteiras com Mali e Burkina Faso. A violência e os ataques recentes levaram a mais de 20.000 novos deslocamentos internos no último mês. A situação aumentou os riscos de proteção para pessoas refugiadas, solicitantes de asilo e seus anfitriões.

Enquanto isso, as sanções impostas pela CEDEAO ao Níger entraram em vigor em uma época do ano – o chamado “période de soudure” – que marca a transição entre as estações agrícolas e antes do início da estação chuvosa. Os preços dos alimentos e das commodities, que já estavam subindo antes dessa crise, aumentaram depois que as sanções foram introduzidas e parecem que continuarão subindo, pois o fechamento das fronteiras com os países da CEDEAO tornará os alimentos e outras commodities mais escassos.

Esses fatores, com um aumento esperado da agitação por parte de grupos armados não estatais, bem como as chuvas fortes em curso, pioraram a já terrível perspectiva humanitária para as populações vulneráveis, principalmente os deslocados internos, pessoas refugiadas, solicitantes de asilo e as comunidades anfitriãs. Atualmente, o Níger abriga mais de 700.000 pessoas deslocadas à força: 350.000 refugiados e solicitantes de asilo e 350.000 pessoas deslocadas internamente.

As tensões socioeconômicas, incluindo o aumento da inflação e a falta de recursos e serviços, foram agravadas pelas recentes restrições de movimento, sobrecarregando ainda mais uma população já vulnerável.

O custo de vida mais alto e a insegurança aumentaram os riscos de proteção, incluindo casamento precoce, violência sexual, tráfico e exploração. Em julho, o ACNUR monitorou 255 incidentes de proteção, incluindo sequestros, violência de gênero e violência doméstica. Esses incidentes ocorreram em Tahoua, Maradi, Tillaberi e Diffa. Embora esses dados estejam alinhados com outros meses de 2023, as equipes do ACNUR testemunharam um aumento acentuado em tais incidentes desde 26 de julho. Entre 26 e 31 de julho, observamos um aumento de 50% em incidentes semelhantes em relação às semanas anteriores de julho.

O ACNUR tem conhecimento de cerca de 20.000 novos deslocamentos internos entre o final de julho e o final de agosto, principalmente em Tillaberi, mas também em Diffa. Além disso, os movimentos populacionais continuam nas fronteiras do país, embora em uma escala modesta, com mais de 2.500 pessoas buscando asilo no Níger nas duas primeiras semanas de agosto, vindas da Nigéria, Mali e Burkina Faso. Não houve relatos recentes de grandes movimentos populacionais do Níger para os países vizinhos.

O Sahel está passando por uma crise complexa marcada por conflitos, tensões entre comunidades, choques climáticos e insegurança. O Níger tem sido, há algum tempo, um centro para requerentes de asilo e um cruzamento de fluxos migratórios mistos, abrigando pessoas refugiados de países vizinhos.

A crise política, as incertezas relacionadas e o potencial de aumento da violência intercomunitária fizeram com que o ACNUR atualizasse os planos de contingência e ajustasse seu nível de preparação em meio a uma revisão dos planos de continuidade dos trabalhos. Continuaremos ajustando nossa pegada ao nível dos riscos avaliados.

Desde que o ACNUR estabeleceu o Mecanismo de Trânsito de Emergência (ETM) em 2017, o Níger também ofereceu proteção a mais de 4.242 solicitantes de asilo e refugiados vulneráveis evacuados da Líbia. Atualmente, quase 600 refugiados estão hospedados na instalação de Hamdallaye, perto de Niamey – que está em plena capacidade – incluindo 100 pessoas que aguardam a partida para países terceiros, mas estão retidos pelo fechamento do espaço aéreo do Níger; 275 estão aguardando uma decisão dos países de reassentamento ou seus casos estão sendo processados.

Antes do golpe de 26 de julho, um voo da ETM da Líbia estava planejado para o quarto trimestre. O ACNUR está aguardando a aprovação das autoridades para a transferência e continuará monitorando as condições para determinar a viabilidade de trazer novos refugiados da ETM para o país.

Apesar dos muitos desafios das últimas semanas – incluindo a mobilidade da equipe, a paralisação dos voos da ONU devido à falta de combustível e a lentidão na importação de ajuda – o ACNUR e seus parceiros continuam a operar em todo o país. Temos o compromisso de permanecer e atender às populações deslocadas à força e às populações anfitriãs em extrema necessidade. O fornecimento de serviços e ajuda vitais, incluindo alimentos, abrigo, assistência médica, ligação com a comunidade e educação, continua.

Devido ao rápido crescimento das necessidades, o ACNUR apela a todos os atores na região e fora dela para que garantam assistência contínua para salvar vidas no Níger. Atualmente, o ACNUR recebeu apenas 39% dos US$ 135,7 milhões necessários para manter as atividades humanitárias este ano. Espera-se que a necessidade de financiamento aumente se a crise se agravar nos próximos meses.

Empregabilidade de refugiados é impulsionada por projeto em tecnologia

Iniciativa para inclusão de pessoas refugiadas no mercado de trabalho formal brasileiro foi liderada pela IFC em parceria com Microsoft Brasil, ACNUR e AVSI Brasil

Para impulsionar a inclusão de populações refugiadas no Brasil, a International Finance Corporation (IFC), membro do Banco Mundial, liderou um projeto de capacitação técnica e de conexão de oportunidades de emprego para pessoas refugiadas no país.

Segundo dados do relatório Tendências Globais – Deslocamento Forçado de Pessoas em 2022 do ACNUR, até o fim do ano passado, mais de 108 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a deixar suas casas devido a conflitos, perseguições e violações de direitos humanos. Destas, mais de 6 milhões deixaram a Venezuela em busca de proteção internacional e garantia de seus direitos, tendo sido o Brasil o quinto país de destino mais procurado na América Latina.

projeto Fronteira Digital, que contou com a parceria da Microsoft Brasil, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da Associação Voluntários para o Serviço Internacional Brasil (AVSI Brasil), faz parte de uma iniciativa da IFC financiada pelo governo japonês para envolver o setor privado no desenvolvimento de soluções para a integração socioeconômica da população refugiada no Brasil. Paralelamente, o projeto incentiva as empresas a promoverem valores como diversidade, inclusão e igualdade de oportunidades em prol da Agenda 2030, buscando atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

O Fronteira Digital foi concebido também com o objetivo de alavancar o potencial do setor de tecnologia como empregador e gerador de renda no Brasil. A iniciativa, lançada em setembro de 2021, consistiu na oferta de cursos em Microsoft 365 e Power Platform para 30 pessoas refugiadas localizadas em Boa Vista (RR), das quais mais da metade foram mulheres. O projeto envolveu a montagem de um laboratório de informática com equipamentos e softwares atualizados para a realização dos cursos e sessões de mentoria e acompanhamento para a geração e compartilhamento de conhecimentos.

Após a realização da capacitação técnica em tecnologia, o Fronteira Digital auxiliou na preparação de currículos, no apoio para a conexão de oportunidades de emprego em outras regiões do Brasil e na sensibilização de empresas participantes do Fórum Empresas com Refugiados e externas para potencial contratação dos profissionais refugiados. Como resultado imediato, o Fronteira Digital promoveu vinte e dois processos seletivos e cinco contratações diretas.

Estruturado para ser um modelo replicável por diferentes empresas no mercado brasileiro, a experiência adquirida no projeto foi documentada em um relatório digital com informações relevantes para que o setor privado interessado em contribuir com suas expertises possa impulsionar o desenvolvimento econômico inclusivo e implementar iniciativas de empregabilidade com componente de capacitação.

O material está disponível nos sites da IFC e do Empresas com Refugiados. O lançamento do relatório encerra a agenda de atividades propostas na parceria firmada em 2021 entre a IFC e a Microsoft e mostra possíveis caminhos para escalar soluções de empregabilidade para pessoas refugiadas.

Com oportunidades de capacitação e acesso a oportunidades condizentes com suas experiências e formações, os profissionais refugiados têm muito a contribuir com o desenvolvimento local e para os resultados das empresas contratantes, agregando inovação, conhecimentos e comprometimento com os objetivos traçados. Empregar profissionais refugiados é uma relação efetiva em que as pessoas refugiadas, a comunidade local, as empresas e os governos ganham, simultaneamente, com resultados concretos e duradouros.

 

Sobre a IFC

A IFC – membro do Grupo Banco Mundial – é a maior instituição global de desenvolvimento voltada para o setor privado nos mercados emergentes. Trabalhamos em mais de 100 países, usando nosso capital, conhecimentos técnicos e influência para criar mercados e oportunidades nos países em desenvolvimento. No exercício financeiro de 2023, a IFC alocou o valor recorde de US$43,7 bilhões para empresas privadas e instituições financeiras nesses países, alavancando assim o poder do setor privado para erradicar a pobreza extrema e aumentar a prosperidade compartilhada enquanto as economias enfrentam os impactos das crises globais. Para mais informações, visite www.ifc.org.

 

Sobre o ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é uma organização dedicada a salvar vidas, proteger direitos e garantir um futuro digno a pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e comunidades devido a guerras, conflitos armados, perseguições ou graves violações dos direitos humanos. Presente em mais de 130 países e laureada em duas ocasiões pelo Nobel da Paz, o ACNUR atua em conjunto com autoridades nacionais e locais, organizações da sociedade civil, academia e o setor privado para que todas as pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas encontrem segurança e apoio para reconstruir suas vidas com dignidade. Saiba mais em www.acnur.org.br e pelas nossas redes sociais (ACNUR Brasil).

 

Sobre a AVSI

A AVSI Brasil é uma organização brasileira, sem fins lucrativos, que atua há mais de 35 anos no Brasil como filial ou parceira da Fundação AVSI. A missão da AVSI Brasil é tornar as pessoas protagonistas do próprio desenvolvimento, por meio de projetos sociais em contextos de vulnerabilidade ou emergência humanitária. Em 2022, a organização desenvolveu 37 projetos, com o empenho de 600 colaboradores, beneficiando diretamente mais de 844.000 pessoas. Para saber mais, visite o site da organização (www.avsibrasil.org.br) ou acesse as redes sociais (@avsibrasil).

 

Sobre a Microsoft

A Microsoft (Nasdaq “MSFT” @microsoft) habilita a transformação digital na era da nuvem inteligente e da fronteira inteligente. A missão da Microsoft é empoderar cada pessoa e cada organização no planeta a conquistar mais. A empresa está no Brasil há 34 anos e é uma das subsidiárias da Microsoft Corporation, fundada em 1975, e que está presente em mais de 190 países. De julho de 2021 a junho de 2022, a empresa investiu mais de US$ 15 milhões em doações e descontos para entidades sem fins lucrativos, impactando mais de 2 mil instituições com doação de software, descontos para compra e apoio a projetos de capacitação. Com o lançamento do Microsoft For Startups Founders Hub, 443 novas startups foram aprovadas, totalizando 703 startups apoiadas, que juntas já consumiram USD 11,898,488.00 de créditos em nuvem Azure.

ACNUR ativa operação humanitária e capta recursos para apoiar mais de 660 mil pessoas forçadas a se deslocar na Ucrânia e em países vizinhos

Número de pessoas refugiadas pode chegar a 4 milhões, e esta pode se tornar a maior crise de refugiados da Europa neste século. Doações podem ser feitas pelo site da agência

Genebra, 01 de março de 2022 –  Cerca de 660.000 pessoas foram forçadas a se deslocar da Ucrânia para países vizinhos nos últimos seis dias, de acordo com os dados compilados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Outras milhares de pessoas estão deslocadas internamente no país devido à ação militar em curso. Neste ritmo, a situação pode se tornar a maior crise de refugiados da Europa neste século.

Para apoiar o trabalho do ACNUR em prol das pessoas forçadas a se deslocar da Ucrânia, doe agora!

Com forte presença na Ucrânia e nos países da região, o ACNUR está mobilizando uma grande operação humanitária para atender as necessidades destas pessoas. Em conjunto com outras agências das Nações Unidas e organizações parceiras, também está mobilizando recursos para responder a esta crise da forma mais rápida e eficaz possível. 

Nesta terça-feira, as Nações Unidas e parceiros humanitários lançaram um apelo de emergência conjunto estimado em US$ 1,7 bilhão para fornecer ajuda urgente a pessoas forçadas a se deslocar na Ucrânia e em países vizinhos. 

Entre as ações previstas para dentro da Ucrânia estão a assistência financeira emergencial às pessoas mais vulneráveis, a distribuição de alimentos e água, cuidados de saúde, serviços de educação, abrigamento emergencial e reconstrução de casas danificadas. O plano também busca apoiar as autoridades dos países vizinhos para que mantenham o funcionamento dos centros de recepção para pessoas deslocadas, com atenção especial à prevenção da violência de gênero. 

O ACNUR está presente nas fronteiras e em contato com as autoridades para disponibilizar assistência. Na Polônia, a equipe de campo do ACNUR relata quilômetros de filas na fronteira do lado ucraniano. Aqueles que cruzaram a fronteira disseram que estavam esperando até 60 horas. Grande parte das pessoas que chegam são mulheres e crianças de todas as partes da Ucrânia. As temperaturas estão muito baixas, e muitos relataram passar dias na estrada esperando para atravessar. 

Também com equipes na Hungria, Moldávia, Romênia e Eslováquia, o ACNUR está monitorando o movimento nas fronteiras com a Ucrânia e trabalhando com os governos destes países na recepção das pessoas refugiadas, provendo informação, apoiando a gestão de abrigos emergenciais e distribuindo itens de assistência humanitária, como cobertores, colchonetes, kits de higiene e lâmpadas solares.  

A ONU estima que 12 milhões de pessoas dentro da Ucrânia precisarão de ajuda e proteção, enquanto mais de 4 milhões de refugiados podem precisar de assistência em países vizinhos nos próximos meses.

Faça uma doação mensal e garanta a segurança, a saúde e o bem-estar de crianças, mulheres e homens que foram forçados a fugir. Sua doação pode salvar vidas! 

“Trabalho na resposta a crises de refugiados há quase 40 anos e raramente vi um êxodo de pessoas tão rápido como este”, disse Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Ucrânia. “Os níveis de risco estão tão altos agora, que está cada vez mais difícil para os trabalhadores humanitários distribuir de forma sistemática a ajuda de que as pessoas deslocadas precisam desesperadamente.”

Com o apoio financeiro de indivíduos e empresas, o ACNUR está conseguindo oferecer ajuda a milhares de pessoas, mas pode fazer mais. “Podemos fazer mais para garantir sua proteção, facilitando seu registro, organizando a capacidade de acolhimento, prestando ajuda de emergência e assistência em dinheiro, identificando e respondendo às necessidades dos mais vulneráveis. Muitos deles são mulheres e crianças, incluindo um número crescente de crianças desacompanhadas e separadas de sua família”, afirmou.

Até o momento, todos os países vizinhos mantiveram suas fronteiras abertas para refugiados vindos da Ucrânia. A maioria se deslocou para Polônia, Hungria, Moldávia, Romênia, Eslováquia, enquanto outros buscam abrigo em outros países europeus. As autoridades nacionais estão assumindo a responsabilidade pelo registro, acolhimento, alojamento e proteção dessas pessoas refugiadas.

O ACNUR estimula os governos a manterem o acesso ao território para todos os que foram forçados a fugir para escapar da violência: ucranianos e outras pessoas que vivem na Ucrânia. A agência também reforça que não deve haver discriminação contra qualquer pessoa ou grupo.

ACNUR na Ucrânia

Desde 2014, a Agência da ONU para Refugiados atua na Ucrânia fornecendo itens essenciais de socorro e abrigo para as pessoas forçadas a se deslocar. Neste momento, o ACNUR está trabalhando com as autoridades, a ONU e outros parceiros na Ucrânia e nos países vizinhos para ampliar a assistência humanitária conforme necessário e para responder a qualquer situação de deslocamento forçado.

O ACNUR está acompanhando de perto a situação e reforçando suas operações na região, enviando mais recursos, funcionários e itens de socorro de acordo com a necessidade. Especialistas em bem-estar e proteção infantil do ACNUR também estão prontos para apoiar as autoridades nacionais.

Trabalhadores humanitários têm realizado visitas à fronteira com Polônia, Romênia, Moldávia e Hungria, conversando com autoridades governamentais em todos os países vizinhos e de prontidão para apoiar o acolhimento de pessoas refugiadas. Na Ucrânia, o ACNUR mantém estoques pré-posicionados de itens de socorro em vários locais, e a equipe segue pronta para permanecer na linha de frente e prestar apoio a quem precisa.

Sobre o ACNUR – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é uma organização dedicada a salvar vidas, assegurar os direitos e garantir um futuro digno a pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e comunidades devido a guerras, conflitos armados, perseguições ou graves violações dos direitos humanos. Presente em mais de 130 países, o ACNUR atua em conjunto com autoridades nacionais e locais, organizações da sociedade civil e o setor privado para que todas as pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas encontrem segurança e apoio para reconstruir suas vidas.

O trabalho do ACNUR de proteção às pessoas refugiadas é mantido por contribuições voluntárias de países e por doações de empresas e pessoas físicas. Além do apoio financeiro, as empresas também contribuem com ações envolvendo colaboradores e consumidores, divulgação de campanhas de doação em situações de emergência, marketing relacionado à causa, entre outras. Diante da complexidade das crises humanitárias atuais, as doações das empresas são fundamentais para ampliar o alcance e o impacto dos programas do ACNUR na vida de milhares de crianças, homens e mulheres. 

Para ler o texto completo no site do ACNUR Brasil, clique aqui.

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