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O papel da IA na transformação da medicina

Por Igor Couto, CEO e cofundador da Sofya

De tempos em tempos a humanidade se vê impactada por uma inovação tão significativa que todo o seu conhecimento ou modo de vida passam a ser questionados. Por mais que possa parecer cedo, atualmente estamos vivenciando mais um desses momentos singulares da história. Até porque, não existe um aspecto ou setor da convivência humana que não está sendo ressignificado graças a potencialização meteórica da inteligência artificial.

Reconhecida por sua constante necessidade de evolução, a medicina está longe de estar alheia à tal inovação. Hoje o setor precisa invariavelmente passar a adotar de maneira massiva a tecnologia na rotina dos profissionais, já que a sua aplicação representa a possibilidade de evoluir significativamente todo o processo clínico em, principalmente, três pilares estratégicos: velocidade, personalização e precisão.

A primeira linha essencial diz respeito a redução de burocracia e resolução de ineficiência sistêmica. Atualmente na área existem diversos processos que acabam desviando os médicos da prática clínica. A área muitas vezes exige essa burocracia para garantir o controle dos dados e informações médicas, muitas vezes sigilosas. A tecnologia chega justamente para trazer dinâmica e eficiência para esse processo burocrático, permitindo que os profissionais da saúde possam se debruçar naquilo que verdadeiramente importa.

Por mais que pareça contraditório em um primeiro momento, a IA contribui de forma significativa para a individualização do cuidado. Até porque, cada paciente apresenta particularidades e genéticas distintas entre si. Graças ao auxílio da ferramenta, é possível analisar e entender mais profundamente as diferenciações através dos dados, fator que pode resultar numa personalização essencial para diagnósticos e tratamentos mais assertivos.

Outro ponto importante é habilitar a chamada medicina de precisão. Dada a possibilidade de ter em mãos informações genéticas, clínicas e comportamentais cada vez mais aprofundadas sobre os pacientes, os profissionais podem atuar com exatidão mesmo atuando perante diferentes circunstâncias. Afinal, cada caso é um caso.

Um mundo de novas possibilidades

Diante de todo esse cenário, as soluções baseadas em IA funcionam quase como uma segunda opinião médica, atuando como um auxiliar fundamental para trazer segurança e eficácia aos profissionais da área. 

Um exemplo prático é a participação incisiva da tecnologia no momento de prescrição de medicamentos. Hoje, com o auxílio da IA, é possível averiguar de maneira muito mais ampla, precisa e antecipada se algum fármaco possui alguma interação de risco com outro que vem sendo utilizado no tratamento. Indo mais além, por meio dos dados coletados é possível antever o risco de possíveis reações alérgicas ou se a droga é ineficaz para determinado paciente.

A contribuição do machine learning ainda traz consigo melhorias imprescindíveis para o diagnóstico clínico. Por meio de uma compilação de dados que vai muito além da capacidade humana, a tecnologia é capaz de identificar e constatar padrões, sendo possível agilizar e aperfeiçoar o reconhecimento de doenças ou eventuais problemas crônicos.

O tratamento clínico também pode ser altamente otimizado por conta da aplicação da tecnologia. Imaginemos por exemplo que um médico de maior especialização consiga treinar o algoritmo de uma IA. A partir da sua expertise, é possível amplificar o conhecimento para outros profissionais, o que por consequência irá permitir que o mesmo tratamento seja replicado para milhares de enfermos. Tal contribuição simboliza a possibilidade de democratizar e acessibilizar o conhecimento médico sofisticado, contribuindo de forma massiva para a melhora do atendimento de forma universalizada.

Podemos aproveitar a tecnologia ainda para obter uma compreensão mais aprofundada, mesmo de maneira preliminar, sobre como determinados medicamentos ou procedimentos clínicos podem se traduzir em avanços para os pacientes. Nesse contexto, a inteligência artificial desempenha um papel crucial ao assegurar a documentação precisa de cada caso, colaborando para a formação de um banco de dados valioso. Esse banco, por sua vez, possibilita a identificação de casos clínicos semelhantes, os quais servem como base no processo de antecipação de possíveis resultados.

A partir de todas essas perspectivas, não dá para imaginar uma realidade em que a IA não participe, ou até mesmo dite, os novos rumos e possibilidades da medicina. O seu uso e aplicação surge como um auxiliar imprescindível para que os profissionais da área médica consigam atuar de forma ainda mais competente e idônea. Fato é que a inteligência artificial na medicina vem sendo responsável por trazer o futuro para o agora e quem tem a ganhar com isso somos todos nós.

*Igor Couto é CEO e fundador da Sofya, startup pioneira em utilizar Inteligência Artificial para raciocínio clínico no Brasil. Um dos maiores especialistas em deep tech, o empreendedor atua para revolucionar o cenário atual da saúde, permitindo que médicos e especialistas da área implementem o raciocínio clínico com IA e, assim, transformem ineficiências, riscos e imprecisão em excelência médica.

 

Briga mineira das Brocas X Bisturis: Médicos e Dentistas da região vão à justiça por causa de procedimentos estéticos e reserva de mercado

Cirurgião plástico de MG, Thiago Marra, funda Associação Brasileira de Dentistas Especialistas em cirurgias faciais


Procedimentos estéticos viram ações judiciais entre médicos e dentistas. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras entidades, os métodos invasivos devem ser realizados apenas por quem estudou medicina. A classe odontológica, por outro lado, diz que a reclamação é movida por reserva de mercado.

Desde 2016, as duas profissões brigam na Justiça – dentistas lutam para terem liberdade em realizar procedimentos estéticos na face, e médicos tentam impedir, mas foi com o cenário da Covid que o impasse aumentou e fez a categoria odontológica perder o sorriso.

Em função do isolamento social, adesão do home office e aumento das videoconferências as pessoas passaram a investir mais em harmonização orofacial para ficar bem nos selfs e nas videoconferências.

O efeito Zoom registrou em 2020 um aumento de 540% na procura por procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos. Rinoplastia (também conhecida como plástica no nariz), lifting facial, preenchimento e Botox foram os mais populares no primeiro trimestre desse ano. Somente o Google detectou um aumento de 4.800% na procura por informações sobre a rinoplastia e o preço do procedimento.

Uma pesquisa conduzida pela empresa Equation Research mostrou que 35% das mulheres que já possuem um procedimento de aprimoramento cosmético em seu currículo, planejam seus próximos tratamentos em 2021 e estão dispostas a gastar mais em procedimentos do que em 2020.

Com estimativas positivas, médicos e dentistas querem morder essa fatia de mercado. E é justamente esse consumidor da beleza que está sendo disputado na justiça e retoma a discussão de quem pode realizar a Harmonização Orofacial? Dentistas ou cirurgiões?

Para responder o questionamento, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) vem novamente reafirmar a autorização legal e a inquestionável competência do Cirurgião-Dentista para execução dos procedimentos de HOF.

Desde que a Harmonização Orofacial foi regulamentada como especialidade Odontológica, há uma tentativa infundada de tornar o serviço exclusivo aos médicos da cirurgia plástica e dermatologia, como forma de reserva de mercado. Os Cirurgiões-Dentistas são comprovadamente aptos para o exercício da Harmonização Orofacial em sua autonomia legal”, afirma Juliano do Vale presidente do CFO.

Já o cirurgião plástico, Dr. Thiago Marra, que também é membro da associação brasileira de médicos pós graduados - ABRAMEPO, combate a reserva de mercado justificando que segundo ranking da CWUR (Center for World University Rankings), o Brasil possui as melhores universidades de odontologia do mundo.  No levantamento de avaliação, a Universidade de São Paulo (USP) lidera o ranking mundial, o Curso de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) aparece em quarto lugar e o da UNICAMP (Universidade de Campinas) em quinto. “Isso significa que temos 3 dos 5 melhores cursos de odontologia no mundo”, comenta o Dr Marra, ao mencionar que na grade curricular desses profissionais tem mais disciplinas de cabeça e pescoço do que no curso de medicina.

Dr. Thiago Marra comenta sobre o assunto com muita firmeza e argumenta que todos os profissionais tem direito a se especializar e a realizar os procedimentos desde que tenham comprometimento com a vida do paciente e qualificação profissional.  “Assim como os dentistas, eu também fui perseguido incansavelmente pela reserva de mercado. Isso tem que parar”, comenta ao informar que para jogar um jato de água fria nessa briga e na contramão da classe médica, está encabeçando um dossiê de apoio à classe odontológica para uma ação coletiva com dentistas de todo o Brasil, e lança a Associação de Dentistas Especialistas em cirurgias faciais.
 
Serviço: Lives
Dia: todas às segundas-feiras - reserva de mercado 
Horário: 20h
Link: https://www.instagram.com/drmarra/
https://www.instagram.com/drmarra/
 
Cirurgião Plástico Dr. Thiago Marra:
é membro da associação brasileira de médicos pós graduados - ABRAMEPO, e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Plástica. Além de ser especialista em rinoplastia, realiza vários procedimentos como prótese de mama, mastopexia, lipoaspiração e harmonização facial, para depois da cirurgia de redesignação sexual. Fora do centro cirúrgico, fundou a Associação de Dentistas Especialistas em cirurgias faciais que visa combater a reserva de mercado e apoiar a classe da Odontologia para realização de procedimentos estéticos, como a harmonização orofacial.
  • Publicado em Saude

Dor muscular: fadiga ou lesão?

Especialistas em cirurgia do pé e tornozelo, os irmãos e médicos ortopedistas Daniel e Tiago Baumfeld falam sobre os desconfortos musculares após a prática de atividades físicas e esportes

A prática de esportes ou quaisquer atividades físicas pode gerar desconforto muscular, muitas vezes significativo, mas como identificar se este desconforto está relacionado à fadiga do músculo ou a uma lesão? De acordo com o médico ortopedista Daniel Baumfeld, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, apesar de não existir uma fórmula mágica para responder a esta pergunta, existem, sim, alguns aspectos que podem nortear a necessidade de uma avaliação. “As lesões musculares, sejam elas rupturas completas ou estiramentos, normalmente superam o limiar de dor “normal” à qual o praticante de esporte está acostumado. Ela pode se iniciar abruptamente, após um chute, salto, mudança de direção, arremesso ou qualquer movimento que demande potência das fibras musculares”. Segundo o ortopedista, este momento normalmente é percebido como uma fisgada, um estalo ou uma pedrada. “Além disso, a dor local é significativa e pode estar associada às perdas de função, como incapacidade para dobrar o joelho, por exemplo”, completa.
 
A dor muscular por fadiga, por sua vez, normalmente está associada a um volume de treino alto e à exigência contínua da musculatura durante um período longo de tempo, sem permissão para a recuperação. “É uma dor que é frequentemente insidiosa, sem momento abrupto de início após algum movimento específico. A dor à palpação é moderada e não há perda de movimento/função (mesmo que a força esteja mais fraca pela dor)”, explica o também ortopedista, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, Tiago Baumfeld.
 
Os médicos esclarecem que o tratamento para as lesões musculares é guiado pela avaliação médica, sendo necessários, em alguns casos, exames de imagem para a definição diagnóstica e classificação da lesão. “Essas lesões podem ser curadas com tratamento funcional, na qual o movimento, a carga e o retorno à prática esportiva são precoces, ou até mesmo com tratamento cirúrgico, no caso das lesões mais graves que necessitem de reconstituição da anatomia para restauração da função”, ressalta Tiago Baumfeld.
 
De fato, para quem gosta de praticar esportes, uma lesão muitas vezes pode ser motivo de desânimo e frustração, mas, para Tiago Baumfeld, além do acompanhamento médico, que é essencial, é preciso manter a esperança e o otimismo.  “Sempre aconselho meus pacientes a se basearem nos bons exemplos de perseverança e treinamento mental para o tratamento de uma lesão ou de uma doença Não há dúvida sobre o papel da mente na melhora das doenças do corpo, por mais anatômicas, biológicas e de carne e osso que elas possam ser”, orienta.
 
Já o tratamento das dores musculares ocasionadas por fadiga, envolve o dia a dia dos praticantes de esportes com medidas de repouso ou recovery - terapia que auxilia na recuperação muscular - como banheiras de gelo, massagem, liberação miofascial, uso de ventosas e dispositivos de compressão pneumática etc. “Apesar de incomodarem, essas dores por fadiga podem ser perfeitamente manejadas com o ajuste da carga no esporte, sem nenhum comprometimento do desempenho”, pontua Daniel.

A importância do cuidado com os pés para pacientes com Diabetes

Especialistas em cirurgia do  e tornozelo, os irmãos e médicos ortopedistas Daniel e Tiago Baumfeld destacam os principais hábitos necessários às pessoas com a doença

 
Atualmente, apenas no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas possuem diabetes, mas a boa notícia é que alguns cuidados, especialmente relacionados aos pés, podem ajudar a prevenir as complicações da doença. De acordo com os irmãos e médicos ortopedistas Daniel e Tiago Baumfeld, especialistas em cirurgia do  e tornozelo, uma série de alterações pode ocorrer nos pés de pessoas com diabetes não controlado, como a perda de sensibilidade. “O ‘ diabético’ é ocasionado pelo Diabetes Mellitus e acontece quando uma área machucada ou infeccionada nos pés desenvolve uma lesão ou ferida mais grave”, explica Daniel Baumfeld.
 
De acordo com o ortopedista, com o passar do tempo, as sensações de dor e tato, chamadas de sensibilidade protetora, desaparecem.  “Essa ‘proteção’ conferida pela dor é o que nos faz identificar pequenos ferimentos e evitar com que os mesmos avancem, por exemplo”, completa Baumfeld. Em função da falta dessa proteção, pequenos machucados nos pés em pacientes com diabetes podem progredir rapidamente para grandes feridas, comprometendo, em alguns casos, a viabilidade do membro, sendo necessária sua amputação.
 
Mas, segundo o ortopedista Tiago Baumfeld, não há motivos para pânico. Existem várias atitudes que, quando praticadas no dia a dia, contribuem para evitar essa evolução catastrófica, sendo a mais importante delas o controle dos níveis de glicose. “Não adianta tomar qualquer medida preventiva local nos pés se os níveis de glicose não estiverem controlados. Esse é o primeiro e mais importante passo”, salienta.
 
Sobre os cuidados necessários com os pés, os irmãos ortopedistas destacam os mais importantes:
 
- Todos os pacientes diabéticos devem examinar os pés diariamente. Se necessário, pedir ajuda a familiar ou usar espelho, lembrando sempre de observar os espaços entre os dedos;
 
- Avisar o médico se tiver calos, rachaduras, alterações de cor ou úlceras. A abordagem precoce no aparecimento de qualquer uma dessas alterações é essencial para o sucesso do tratamento;
 
- Vestir sempre meias limpas, preferencialmente de lã, algodão, sem elástico, a fim de evitar pontos de pressão e favorecer o controle da umidade local;
 
 - Calçar sapatos que não apertem, de couro macio ou tecido. Não usar sapatos sem meias;
 
- Sapatos novos devem ser usados aos poucos. Usar inicialmente, em casa, por algumas horas por dia. Qualquer ponto de pressão deve motivar a adaptação ou troca imediata do calçado;
 
- Nunca andar descalço, mesmo em casa. Uma ferida por um acidente perfurocortante pode não terminar bem;
 
- Lavar os pés diariamente, com água morna e sabão neutro. Evitar água quente. Secar bem os pés, especialmente entre os dedos;
 
- Após lavar os pés, usar um creme hidratante à base de lanolina, vaselina líquida ou glicerina. Não usar entre os dedos para evitar acúmulo de umidade local;
 
- Cortar as unhas de forma reta, horizontalmente. Nunca "cutucar" as bases das unhas, essa pode ser uma porta de entrada significativa para infecções;
 
- Nunca remover calos ou unhas encravadas em casa;
 
Por fim, Tiago Baumfeld reforça a importância de os pacientes serem acompanhados por profissionais especializados. “O paciente com diabetes precisa de acompanhamento multidisciplinar, que um endocrinologista, ortopedista especialista em pés, cirurgião vascular, enfermeiros especialistas em feridas, psicólogos, entre outros profissionais”, finaliza o médico.
 
 

Os irmãos e médicos ortopedistas dr. Daniel Baumfeld e dr. Tiago Baumfeld são especialistas em cirurgia do  e tornozelo, proprietários da Clínica Vicci e mestres em ortopedia pela UFMG. Daniel é superintendente médico do Cruzeiro Esporte Clube e Tiago é supervisor médico.

Como a contabilidade pode ajudar empresas médicas em época de restrições

Consultoria e soluções especializadas garantem a profissionais, clínicas e hospitais o corte de gastos desnecessários e até restituições de tributos indevidos, em tempos de receita em retração e despesas subindo.

A busca por consultoria e soluções financeiras especializadas na área de saúde tem sido o caminho adotado por clínicas, hospitais e prestadores de serviços médicos para garantir a sustentabilidade de seus negócios, sobretudo neste momento de restrições causadas pela pandemia de Covid-19. A gestão contábil, fiscal e tributária que atenda às especificidades do setor evita a ocorrência dos chamados ralos financeiros.
 

E o cenário impõe não deixar ralos abertos. Levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp, 03/2021) aponta que, entre 118 estabelecimentos associados, houve acréscimo de despesas acima do incremento das receitas (8,1% contra 3,1%) durante o ano passado. Com isso, a margem Ebitda (lucro sem incluir tributações, pagamento de juros e amortizações) caiu 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No início da pandemia, a organização Médicos Sem Jaleco já tinha identificado, entre profissionais, tombo de 82% nas receitas.
 
Uma gestão contábil e fiscal que se atente às peculiaridades da especialidade médica, separando simples consultas de exames, procedimentos e cirurgias, consegue identificar quais são as despesas desnecessárias – incluindo o pagamento de tributos indevidos, conforme explica a administradora Júlia Lázaro. São os recursos despendidos sem necessidade que a especialista classifica como ralos financeiros. Júlia é sócia e fundadora da Mitfokus, empresa de soluções financeiras baseadas em tecnologia da informação (fintech), focada justamente em negócios da saúde.

O relato do cirurgião vascular Fernando Daiggi, de Campinas (SP), ilustra bem a importância da gestão especializada. O profissional lembra que, até anos atrás, o pagamento dos tributos era feito mediante contabilidade generalista. Esta, no entanto, não se atentava a alíquotas específicas para a saúde, que variam de acordo com as atividades e procedimentos realizados.
 
“Descobri que havia opções de menor tributação, de incidência de alíquotas menores. Conseguimos uma diminuição drástica das despesas com tributos. Mais que isso: obtivemos a restituição dos impostos pagos a mais, dentro do período e prazo estipulados pela legislação”, afirma Daiggi.
E o profissional complementa sobre a parceria com uma contabilidade especializada: “[A consultoria e as soluções financeiras especializadas em saúde] nos dão uma visão mais ampla da gestão no setor. Identificamos categorias específicas de tributação – taxações diferentes sobre valores de consulta, exames, cirurgias...”, menciona.

EFEITOS

Tapar ralos financeiros, assim como os identificados por Daiggi, se torna ainda mais imprescindível neste momento em que várias especialidades médicas registram diminuição de atendimentos – e, consequentemente, de receitas. O oftalmologista Aron Guimarães, também de Campinas (SP), está entre esses profissionais que sentiram os efeitos da pandemia na procura por consultas, exames e cirurgias. “Muitos pacientes, em especial os idosos, por causa da necessidade de distanciamento social, deixaram de realizar esses procedimentos”, acrescenta.

Em seu caso, a queda na receita chegou a 30%. Inicialmente precisou demitir, mas, com o passar do tempo, foi recompondo seu quadro. Contudo, com o agravamento da pandemia em curso desde fevereiro, e novas medidas de restrições, o receio de outro impacto volta a exigir precauções extras. Os efeitos só não chegam a ser drásticos justamente porque a clínica conta com gestão especializada.

“Contamos há alguns anos com consultoria especializada. Tem sido uma ajuda muito importante, neste período difícil. Reduzimos despesas com tributos que pagávamos além do que é obrigatório. Recursos economizados muito importantes para o dia a dia”, assinala o oftalmologista.

Também oftalmologista, o médico Fábio Akio, de Guarulhos, na Grande São Paulo, é outro profissional que registrou retração nas receitas em decorrência da pandemia, “principalmente no início, naquele primeiro período de medidas restritivas”. A queda obrigou o médico a reavaliar custos, com o intuito de cortar despesas. Igualmente cliente da Mitfokus, ele salienta que a consultoria financeira especializada se mostrou decisiva. “Foi muito importante; é uma organização e agilidade na tomada de decisões que são essenciais para atravessar os momentos críticos.”

HISTÓRIA E METAS
 
A oftalmologia é uma das 40 especialidades médicas atendidas pela consultoria e soluções financeiras desenvolvidas pela Mitfokus, informa Júlia Lázaro. A fintech especializada em gestão de saúde completa quatro anos em 2021. Nesse período, assegurou aos clientes R$ 15 milhões de economia com tributos desnecessários e restituição de mais de R$ 20 milhões.

A empresa tem sede em Campinas (SP), com clientes (são mais de 1,2 mil) em todas as regiões do Brasil. Desde janeiro, a Mitfokus está integrada à incubadora Eretz.bio/Einstein, para um projeto de expansão e aceleração dos negócios. A meta, reitera Júlia Lázaro, é até 2026 atender 10% dos profissionais de saúde de todo o país oferecendo soluções financeiras tecnológicas, integradas à contabilidade, e com gestão para evitar ralos financeiros.
 
MAIS INFORMAÇÕES

Pandemia faz disparar a procura por serviços de vacinação pela internet

O número de usuários que usam o serviço de compra e agendamentos online cresceu mais de 1.000% de janeiro de 2020 a janeiro de 2021, segundo dados do Vacinas.net, maior marketplace de vacinação do país. A expectativa é que as transações só aumentem na plataforma, assim como a capilaridade da rede, alcançando um faturamento da ordem de 36 milhões de reais até 2022

O isolamento social imposto pela pandemia e também a mudança do perfil do consumidor que busca cada vez mais agilidade e facilidades, fizeram a venda e o agendamento online de vacinas disparar de 2020 para 2021. O número de usuários que acessaram o Vacinas.net, o marketplace de vacinação com maior cobertura do Brasil, cresceu mais de 1000% de janeiro de 2020 a janeiro de 2021. Hoje o Vacinas.net está presente em 15 Estados, 11 capitais, cobre mais de 400 municípios e conta com cerca de 80 clínicas plugadas em sua plataforma.

O Vacinas.net é uma jovem healthtech que tem como proposta gerar valor a toda a cadeia e que conecta quem precisa se vacinar, a quem presta esse serviço, por meio da venda e agendamento online. O marketplace nasceu em abril de 2020 e já no primeiro ano de atuação alcançou um faturamento de 254 mil. Foram registrados na plataforma mais 650 clientes, responsáveis por gerar 765 pedidos, que resultaram na aplicação de quase 1,5 mil vacinas, ou seja, uma média de quase duas doses por pedido. Além disso, o site também intermediou a venda de mais de 40 mil doses de imunizantes contra a gripe para o mercado corporativo.

“Tivemos uma taxa média de conversão de 1,7% , o que é excelente para um e-commerce. Sendo que em junho houve um pouco de 7,4% no número de conversões. Esse cenário nos deu segurança para continuarmos investindo e mostrou que estamos no caminho certo. O primeiro ano de atuação foi para construir a rede e a partir de agora é focar no desenvolvimento do negócio”, explica Marcos Tendler, Fundador e CEO da Vacinas.net.

Para sustentar esse crescimento, a Vacinas.net já recebeu três rodadas de investimentos, que juntas totalizam cerca de 1 milhão de reais. Esses recursos trouxeram lastro para que o marketplace pudesse construir uma rede consolidada. Além de ações de marketing, a startup investiu em um sistema de gestão próprio capaz de dar suporte às clínicas parceiras, promover a integração entre elas, gerir estoques e pedidos e, por meio da função de pedidos multiclínicas, engajar mais de uma clínica em um mesmo atendimento. O mais recente aporte, recebido em março, de 1% do equity, subsidiará a abertura de uma clínica de vacinação própria, tanto a infraestrutura de equipamentos e cadeia do frio adequadas, como as obras). “Isso nos permitirá atender tanto à vacinação domiciliar, como a corporativa, além de iniciar um estoque próprio para abastecer as clínicas parceiras e validar e testar algumas ações que podem ser replicadas na rede. Isso já estará em operação na campanha de imunização contra gripe 2021, que está iniciando agora”, enfatiza.

As perspectivas para 2021, portanto, são bastante promissoras. Espera-se um salto ainda maior de crescimento, tanto de capilaridade como em receita. Em uma expectativa ponderada, a ideia é chegar a uma média de três doses por dia, por seller. Considerando um cenário de cerca de 100 clínicas fazendo parte do marketplace até o final do ano e um ticket médio de cerca de 300 reais, a ideia é que o faturamento alcance a faixa dos 36 milhões de reais. E, de acordo com o CEO, existe potencial para isso, pois o Brasil tem mais de 3,5 mil clínicas de vacinação e dez mil pontos de aplicação privados (laboratórios e farmácias). Este mercado fatura por ano cerca de 3 Bilhões de reais e atinge mais de 68 milhões de pessoas . Ou seja, há uma fatia ainda a ser conquistada pela venda online.

“Somos um marketplace B2B2C nossa proposta é ser um hub no mercado privado de vacinação, atuando em toda a cadeia produtiva. Queremos gerar valor para o cliente, com informação segura e de qualidade e apoiando na compra e agendamento online; para as clínicas com uma solução plug and play de e-commerce e como rede de escoamento e fornecimento para os distribuidores. Além de ser uma vitrine para a indústria, um canal promocional e uma fonte de dados para o fabricante, funcionamos como uma ferramenta de prescrição e suporte técnico para a classe médica. Hoje “ganhamos” com relação clínica e paciente, por meio da intermediação do serviço. Ao longo dos próximos anos, pretendemos gerar tráfego e monetização em outros elos”, finaliza Tendler.

SOBRE O VACINAS.NET
O Vacinas.net é o marketplace de vacinação com maior cobertura do Brasil, presente em 15 Estados, 11 capitais, cobre mais de 400 municípios e conta com cerca de 80 clínicas plugadas em sua plataforma. O Vacinas.net faz a conexão entre quem precisa se vacinar e quem executa o serviço de vacinação. Os serviços oferecidos no site são prestados por clínicas tradicionais de vacinação, com vasta experiência em atendimento domiciliar e que passam por um rígido processo de homologação.

Esportes de alto rendimento e medicina de ponta

Alta tecnologia é capaz de entender o impacto das modalidades esportivas no corpo

*Dr. Pedro Schestatsky

A ideia de ‘super humano’ é cada vez mais comum quando pensamos em atletas de alto rendimento, certo? Com o passar do tempo, as modalidades de esportes exigem cada vez mais dos seus praticantes, que podem chegar ao seu limite físico, quando não acompanhados por profissionais da saúde para conquistarem os objetivos. A linha entre o sucesso e o esgotamento é tênue. No entanto, a tecnologia pode ser uma forte aliada quando falamos em ter excelência, de maneira correta e saudável.

Os avanços tecnológicos estão presentes em toda a sociedade e não deve ser diferente no esporte. É sabido que cada corpo responde de maneiras diferentes aos estímulos, e a combinação de genética e ambiente pode determinar o sucesso do atleta de elite. Em sua grande maioria, durante a prática, o corpo passa por alterações cardíacas, musculares e respiratórias. Um atleta sob pressão é parecido com um paciente em estado de choque, pois o corpo está em condições extremas e nessas horas que podemos entender as maiores necessidades e pontos que podem ser melhorados.

Durante uma corrida, por exemplo, a temperatura chega a 60ºC dentro dos cockpits, além do uso da roupa antichamas, podendo ter etapas que ainda possuem 80% de umidade relativa no ar, onde o piloto fica exposto por cerca de duas horas. E não para por aí. Ainda nesta condição, é preciso ter a habilidade de reflexo e atenção, levando o corpo a uma tensão extrema. A desidratação e a fadiga nos seus picos, somados às dores no pescoço, costas e ombros, podem ser alguns dos prováveis sintomas que exigem uma preparação personalizada.

Os avanços recentes no campo da biologia molecular estão ampliando as possibilidades de uso de biossensores em diagnósticos clínicos, mas aqui se mostra como um grande aliado dos atletas e pode estar se tornando um diferencial incrível no desempenho de um atleta.

Os biossensores são dispositivos analíticos, sem marcadores, que integram uma biocamada, um transdutor elétrico, elementos de condicionamento e processamento do sinal elétrico. O objetivo desse instrumento é produzir um sinal elétrico que é proporcional em magnitude ou frequência à concentração do analito.

O uso dele permite que as reações sejam melhor analisadas em termos fisiológicos e biomecânicos, possibilitando a melhora de estratégias de treinamento e, portanto, melhora do desempenho. É possível obter detalhes como a aceleração e a posição de várias partes do corpo, frequência cardíaca, respiração e o nível de cansaço. Além disso, podemos comparar os dados com estatísticas e análises para obter uma imagem completa da condição física de um atleta e como seu corpo reage durante uma prova.

Além dos biossensores, a neuromodulação cerebral também se mostra uma prática com grandes resultados e mais um exemplo da aliança entre esporte de alto rendimento e medicina avançada.

A neuromodulação consiste em estímulos elétricos de baixa voltagem que são liberados por dois eletrodos colocados sobre a cabeça, de forma não invasiva. O efeito dos estímulos visual e elétrico é capaz de mudar a plasticidade cerebral e aliviar os sintomas de várias doenças, ajudar em reabilitação, aumentar a atividade cerebral, entre outros benefícios que resultam na melhora da performance no esporte. Quem não lembra dos atletas Usain Bolt e Michael Phelps ouvindo música nos seus “headphpnes” pouco s minutos antes de suas provas. Na verdade, estavam estimulando eletricamente seus cérebros com um dispositivo que hoje é regra em vários clubes de futebol e beisebol americanos. Aqui em Porto Alegre, o nadador gaúcho, Maurício Nascimento, utilizou sob minha supervisão a estimulação elétrica cerebral ao longo de dois meses por vinte minutos antes dos treinos. Resultado: mesmo aos 30 anos, idade considerada avançada para as competições, em 2018, Maurício melhorou seu desempenho e conquistou o primeiro lugar nas três provas de nado peito, bateu o recorde estadual e entrou no ranking dos dez melhores nadadores do Brasil na categoria.

Por fim, fica claro que o uso da medicina avançada sempre será um grande aliado dos esportes, e, principalmente, dos atletas de elite, mas ela não deve apenas focar na recuperação de lesões, como é mais comum encontrar, e, sim, na personalização e melhora da performance de cada atleta, que em seu dia a dia coloca o corpo no extremo.

Pedro Schestatsky é médico neurologista fundador das empresas LifeLab – Medicina de Precisão e NEMO - Neuromodulação

Dr. Filippo Pedrinola explica relações entre hormônios e saúde mental

Médico endocrinologista aborda a saúde mental sob perspectiva de problemas fisiológicos que não provêm da depressão ou distúrbios do comportamento

Com o isolamento social e as preocupações com a pandemia, temas sobre saúde mental ganham muito espaço nas discussões sobre o bem-estar. Temas como depressão e ansiedade já são os primeiros a serem considerados quando o assunto é referente aos reflexos de tudo isso em nosso cérebro. No entanto, a situação atual reforça um pensamento comum, que é explicar as causas pelo estilo de vida como reflexo do mundo exterior, mas também existem as causas fisiológicas atuando nesse processo, como o desequilíbrio hormonal.

Por haver grande desconhecimento da população acerca destes sintomas, fazendo-as desconsiderarem os fatores de origem biológica, como desequilíbrios hormonais e uso de medicamentos capazes de influenciar o desenvolvimento de diversos problemas relacionados à saúde mental.

Para o Prof. Dr. Filippo Pedrinola, um exemplo disso é o impacto negativo do anticoncepcional no organismo de algumas mulheres.

“Há um subgrupo de mulheres nos quais a pílula anticoncepcional, em pequenas quantidades, pode induzir a um quadro depressivo. Além disso, o anticoncepcional também afeta diretamente a produção de vitamina B6 no organismo, sendo responsável pela produção de neurotransmissores. Quando estes não atuam da maneira correta, o humor, por exemplo, muda consideravelmente”.

Além disso, completa Pedrinola “o uso prolongado de anticoncepcional aumenta os riscos do desenvolvimento de câncer de mama, por isso é importante estar sempre em contato com um médico especializado para que a prescrição seja feita de maneira correta, sem apresentar danos à saúde”.

Hipotireoidismo também geram distúrbios do comportamento
É de conhecimento popular que cansaço, alteração do sono, desânimo, ganho de peso, fraqueza e perda de libido são sintomas característicos da depressão, mas nem sempre eles podem estar relacionados com as alterações químicas que também geram a depressão.

De acordo com o Prof. Dr. Filippo Pedrinola, é essencial realizar exames de função tireoidiana, principalmente se o paciente nunca apresentou sintomas depressivos antes, visto que as sensações entre um problema e outro são bem parecidas.

“Os sintomas do hipotireoidismo são muito parecidos com o de pessoas que desenvolvem um quadro depressivo, e isso gera uma certa confusão porque, ao invés de ir a um endocrinologista, ela vai a um psicólogo ou psiquiatra, e muitas vezes o tratamento indicado por estes profissionais não resolve o problema do paciente, visto que eles estão em outra esfera”.

O mais indicado é, se possível, fazer um acompanhamento simultâneo com profissionais de ambas as áreas, já que cerca de 30% dos pacientes com depressão apresentam hipotireoidismo e, por outro lado, 50% dos pacientes com hipotireoidismo são depressivos, de acordo com pesquisas realizadas pelo Departamento de Tireoide da SBEM.

Estresse crônico está diretamente ligado com deficiência androgênica nos homens
Os homens também estão suscetíveis a problemas hormonais e apresentam alguns sintomas que se assemelham à depressão, como a falta de energia, e libido baixa. Neste caso, o que pode estar acontecendo é um quadro de hipogonadismo, uma doença na qual as gônadas, que nos homens são os testículos e, nas mulheres, os ovários, não produzem quantidades suficiente de hormônios sexuais.
 

“É muito comum que os homens desenvolvam o hipogonadismo em decorrência do estresse crônico, e por mais que os exames laboratoriais indiquem normalidade, é interessante avaliar outros parâmetros, porque isso pode estar influenciando nas queixas de baixa libido ou falta de energia”, declara o Dr. Pedrinola.

Mesmo que a taxa de testosterona do homem esteja dentro dos limites da normalidade, é necessário analisar no exame laboratorial os índices correspondentes aos hormônios SHBG ou prolactina, pois as situações de estresse fazem com que a glândula hipófise aumente a produção do hormônio prolactina, que tem relação direta com a queda da testosterona.
 
“Tudo deve ser levado em conta junto ao quadro clínico, porque em uma situação dessas a gente costuma questionar se há a necessidade de uma reposição hormonal ou se vamos estimular esses eixos para que voltem aos seus índices normais. Sempre procuro entender por que o paciente está daquele jeito antes de indicar algum tipo de tratamento”, declara o Dr. Pedrinola.

Em todos os casos, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá, sempre mantendo os exames em dia e se consultando periodicamente com um especialista, a fim de evitar problemas maiores no futuro.

Sobre o Dr. Filippo Pedrinola
O Dr. Filippo Pedrinola, criador do protocolo Medicina de Estilo de Vida, é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com residência médica em clínica e endocrinologia no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Após período de um ano do Fellowship Program do Cedars Sinai Medical Center da University of California em Los Angeles (UCLA), concluiu doutorado em endocrinologia pela Faculdade de Medicida da USP.

É membro da The Endocrine Society dos Estados Unidos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).

Possui certificação em medicina mente-corpo pelo Body-Mind Institute da Harvard Medical School, pela International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) e pela University of Texas em Arlington (UTA).
Além de estar à frente de suas clínicas médicas próprias, faz parte do corpo clínico do Hospital Albert Einsten e do Hospital BP Mirante, neste último é Coordenador do Núcleo de Bem-Estar e Terapias Integrativas.

Clínica Prof. Dr. Filippo Pedrinola | Prof. Dr. Élvio Garcia
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